Quais feedbacks normalmente se recebe após uma cirurgia odontológica? Geralmente os pacientes temem...
O Erro Fatal Que 90% dos Dentistas Cometem no Aumento Vertical (e Como Evitá-lo)
Aumento de Rebordo Vertical em Implantodontia:
a ciência por trás do procedimento mais desafiador da reabilitação oral
Por que o ganho vertical exige biologia refinada, técnica precisa e decisões clínicas baseadas em evidência
O aumento de rebordo vertical permanece como um dos maiores desafios da implantodontia contemporânea. Mesmo com o avanço dos biomateriais, das técnicas regenerativas e do planejamento digital, o ganho vertical continua limitado por fatores biológicos fundamentais, que não podem ser ignorados ou contornados por soluções simplistas.
Na aula sobre Aumento de Rebordo Vertical em Implantodontia, o Prof. Dr. Marcelo Nunes apresenta uma abordagem profunda, científica e clínica sobre o tema, integrando biologia óssea, manejo de tecidos moles, classificação precisa dos defeitos e técnicas avançadas, com destaque para a técnica BARBELL.
Mais do que ensinar uma técnica, o curso propõe uma mudança de mentalidade clínica: sair do empirismo e atuar com racionalidade biológica.
O problema central: por que o aumento vertical é biologicamente mais complexo?
O primeiro ponto estabelecido de forma categórica é que aumento vertical e aumento horizontal são procedimentos biologicamente distintos. Tratá-los da mesma maneira é um erro conceitual que compromete resultados.
Comparação biológica fundamental
| Ganho Horizontal | Ganho Vertical |
|---|---|
| Osso presente em ambos os lados do defeito | Osso apenas na base |
| Suprimento vascular duplo (vestibular e lingual/palatino) | Suprimento vascular unidirecional |
| Forças de compressão (favoráveis à regeneração) | Forças de tração (desfavoráveis) |
| Fechamento primário mais previsível | Fechamento crítico e determinante |
| Previsibilidade clínica > 90% | Previsibilidade variável: 60–85% |
| Membranas reabsorvíveis geralmente suficientes | Frequentemente exige membranas não reabsorvíveis |
No aumento vertical, qualquer falha no suprimento vascular, na estabilidade do enxerto ou no fechamento do retalho compromete todo o processo regenerativo.
Limitações vasculares e biomecânicas: o verdadeiro inimigo do ganho vertical
Diferente do ganho horizontal, onde o enxerto recebe irrigação sanguínea de múltiplas superfícies ósseas, no ganho vertical:
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A vascularização vem apenas do osso basal e do periósteo
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A gravidade atua continuamente contra o enxerto
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As forças musculares geram tração constante sobre as suturas
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O edema pós-operatório aumenta ainda mais a tensão do retalho
Esses fatores explicam por que micromovimentações mínimas ou fechamentos sob tensão levam a deiscências, exposição de membrana e falhas regenerativas.
Todo defeito severo começou pequeno: a importância da prevenção
Um dos conceitos mais impactantes apresentados pelo Prof. Marcelo Nunes é direto e clínico:
“Todo defeito tridimensional severo começou pequeno.”
A cascata da negligência clínica
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Extração dentária sem preservação alveolar
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Reabsorção horizontal de 60–80% nos primeiros 6 meses
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Reabsorção vertical adicional de 20–40%
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Colapso progressivo dos tecidos moles
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Formação de defeito tridimensional severo
A literatura e a prática clínica convergem para o mesmo ponto: a preservação alveolar é o procedimento mais previsível e custo-efetivo da implantodontia moderna.
Classificação dos defeitos verticais: base para decisões previsíveis
Classificação por extensão vertical
| Defeito | Perda Vertical | Técnica Indicada | Previsibilidade |
|---|---|---|---|
| Leve | 1–3 mm | ROG com membrana reabsorvível | Alta (>85%) |
| Moderado | 3–5 mm | ROG não reabsorvível ou BARBELL | Boa (70–85%) |
| Severo | >5 mm | BARBELL, enxerto em bloco ou distração | Moderada (60–75%) |
Essa classificação não apenas orienta a técnica, mas define expectativa de sucesso, tempo de tratamento e risco de complicações.
Fenótipo peri-implantar ideal: parâmetros que guiam o planejamento
O planejamento de qualquer aumento vertical deve buscar restaurar um ambiente biológico favorável à longevidade dos implantes.
Parâmetros biológicos essenciais
| Parâmetro | Mínimo | Ideal |
|---|---|---|
| Tecido queratinizado | 2 mm | 3–4 mm |
| Espessura da mucosa | 2 mm | ≥3 mm |
| Altura supracrestal | 4 mm | 4–5 mm |
| Osso periimplantar | 1,5 mm | ≥2 mm |
Esses valores estão associados a:
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Menor incidência de mucosite e peri-implantite
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Estabilidade dos tecidos moles
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Facilidade de higienização
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Resultados estéticos previsíveis
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Maior longevidade das reabilitações
A técnica BARBELL: o divisor de águas no ganho vertical
Conceito da técnica
A técnica BARBELL, utiliza parafusos expansores especiais para criar uma câmara regenerativa tridimensional estável, mantendo o espaço necessário para neoformação óssea durante todo o período de cicatrização.
Princípios biológicos e mecânicos
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Suporte mecânico rígido
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Manutenção do espaço regenerativo
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Preservação do suprimento vascular periosteal
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Redução do colapso do enxerto
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Estabilidade tridimensional do biomaterial
Resultados clínicos relatados
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Ganho vertical previsível: 3–5 mm
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Tempo médio de cicatrização: 9–12 meses
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Taxa de sucesso relatada: >90%
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Manutenção volumétrica: superior à ROG convencional em defeitos severos
Comparação prática
| Técnica | Previsibilidade em grandes defeitos | Morbidade |
|---|---|---|
| ROG convencional | Moderada | Baixa |
| Enxerto em bloco autógeno | Variável | Alta |
| BARBELL | Alta | Menor |
Manejo de tecidos moles: o fator mais crítico do sucesso
A frase mais enfatizada ao longo da masterclass resume o conceito central:
“Sem passividade do retalho, não há regeneração previsível no aumento vertical.”
No ganho vertical:
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O tecido precisa vencer a gravidade
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O volume a ser coberto é maior
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Qualquer tensão leva à deiscência
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Deiscência significa exposição e falha
Liberação adequada inclui
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Descolamento além da junção mucogengival
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Liberação completa de inserções musculares
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Descolamento lingual cuidadoso
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Liberação horizontal do músculo milo-hióideo (mandíbula), capaz de gerar 5–8 mm de ganho de passividade
Complicações: abordagem racional e baseada em evidência
Deiscência de sutura
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Principal causa: tensão residual no retalho
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Pequena e precoce (<3 mm): ressutura pode ser considerada
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Tardia ou extensa: controle de biofilme e cicatrização por segunda intenção
Exposição de membrana
Uma vantagem estratégica da BARBELL é que, mesmo com a remoção da membrana, os parafusos mantêm o espaço regenerativo, reduzindo perdas ósseas.
Conclusões dos autores e implicações clínicas
O aumento de rebordo vertical:
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Exige compreensão profunda da biologia
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Requer diagnóstico preciso e planejamento rigoroso
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Demanda técnica refinada e controle absoluto do fechamento
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Não admite improviso nem pressa
Quando bem indicado e executado, transforma casos antes considerados inviáveis em reabilitações previsíveis, funcionais e estéticas.
Referências
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Nunes, M. PURGO MASTERCLASS – Aumento de Rebordo Vertical em Implantodontia. PURGO, Brasil.