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Cirurgia Ortognática Minimamente Invasiva (MIOS): a técnica que está redefinindo a cirurgia ortognática no Brasil
Menos trauma, recuperação acelerada e resultados naturais: por que a MIOS está mudando a experiência do paciente e o futuro da especialidade
Durante décadas, a cirurgia ortognática foi vista como um procedimento extremo, reservado apenas para casos severos, associado a dor intensa, longas internações e um pós-operatório traumático. Esse estigma afastou pacientes, limitou indicações e moldou uma narrativa que hoje já não se sustenta.
A Cirurgia Ortognática Minimamente Invasiva (MIOS) surge exatamente para romper com esse passado. Mais do que uma nova técnica, ela representa uma mudança de filosofia cirúrgica, centrada em biologia, planejamento preciso e experiência do paciente.
O problema histórico da cirurgia ortognática
A experiência tradicional do paciente incluía:
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Trauma cirúrgico extenso
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Edema facial severo por semanas
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Dor pós-operatória significativa
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Internação hospitalar prolongada, muitas vezes com reserva de UTI
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Perda de peso importante
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Afastamento da rotina por 30 a 60 dias
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Risco elevado de alterações de sensibilidade
As consequências foram previsíveis: medo dos pacientes, resistência dos ortodontistas em indicar o tratamento e uma grande quantidade de casos nunca tratados, apesar da indicação clínica clara.
A proposta da MIOS: mudar a experiência, não apenas a técnica
Apresentada pelo Prof. Dr. Matheus Spinella, cirurgião bucomaxilofacial e referência nacional em cirurgia minimamente invasiva, a MIOS nasce com um objetivo claro:
Reduzir o trauma cirúrgico sem abrir mão da precisão, estabilidade e qualidade estética.
Segundo o autor, a especialidade carrega parte da responsabilidade pelo estigma criado ao longo dos anos — e também a responsabilidade de mudá-lo.
Fundamentos biológicos e técnicos da MIOS
A MIOS não se resume a incisões menores. Ela se apoia em pilares bem definidos:
1. Incisões precisas e minimizadas
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Uso exclusivo de lâmina fria
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Acesso restrito ao estritamente necessário
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Preservação máxima dos tecidos adjacentes
2. Descolamentos direcionados
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Apenas nas áreas que serão efetivamente trabalhadas
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Manutenção das inserções musculares
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Preservação do periósteo e da vascularização
3. Trabalho por tunelização
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Menor exposição tecidual
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Visão restrita, porém dirigida
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Redução significativa do trauma
4. Osteotomias menos traumáticas
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Técnica twist, substituindo fraturas agressivas
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Mobilização gradual e controlada
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Preservação estrutural e vascular
Planejamento: o verdadeiro determinante do sucesso
Um ponto enfatizado repetidamente é que nenhuma técnica salva um planejamento mal feito.
Casos de reintervenção analisados mostraram:
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Desvios de linha média
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Alterações do plano oclusal
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Assimetrias faciais
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Impactações excessivas
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Avanços bimaxilares exagerados
O problema, segundo o Prof. Spinella, raramente está na intenção do cirurgião, mas sim na falha de transferência do planejamento digital para a sala cirúrgica.
Etapas essenciais do planejamento digital
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Tomografia computadorizada 3D
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Definição de linhas de referência
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Simulações virtuais precisas
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Confecção de splints intermediários e finais
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Checagens rigorosas intraoperatórias
“Se o básico não está bem feito, não adianta técnica minimamente invasiva ou convencional.”
Protocolo MIOS: execução cirúrgica
Maxila – Le Fort I minimamente invasiva
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Incisão reduzida com lâmina fria
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Descolamento seletivo
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Osteotomia subespinhal (preservação da arquitetura nasal)
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Tunelização bilateral
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Mobilização por twist
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Fixação rigorosa com splint final
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Sutura em X, reduzindo risco de alargamento nasal
Mandíbula – osteotomia sagital bilateral MIOS
O diferencial está no desenho mais posterior da osteotomia, dentro de margens seguras.
Benefícios observados:
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Menor risco de lesão do nervo alveolar inferior
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Maior projeção mandibular
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Ganho estético mais expressivo
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Melhora do espaço aéreo
Apesar do menor contato ósseo, a técnica exige fixação mais rígida, garantindo estabilidade e regeneração óssea adequada.
Mento – mentoplastia minimamente invasiva
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Incisões e descolamentos mínimos
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Trabalho por tunelização
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Uso de guias cirúrgicos
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Possibilidade de placas customizadas
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Associação sistemática com biomateriais
Resultados clínicos e experiência do paciente
Curto prazo
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Alta hospitalar em 12–24 horas
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Dor mínima ou ausente
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Edema significativamente reduzido
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Retorno ao trabalho em 7–15 dias
Médio e longo prazo
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Cicatrização óssea eficiente
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Menor incidência de alterações neurossensoriais
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Resultados estéticos mais naturais
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Estabilidade mantida ou superior
Biomateriais e A-PRF: aliados estratégicos
O uso de biomateriais é protocolar na MIOS.
PURGO Collagen
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Mistura de osso porcino e colágeno
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Alta absorção sanguínea
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Distribuição homogênea de células osteoprogenitoras
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Evidência tomográfica de neoformação óssea de alta qualidade aos 6 meses
A-PRF
Estudos apresentados demonstraram:
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Redução significativa de edema
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Menor dor pós-operatória
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Diminuição de distúrbios de sensibilidade
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Melhora da regeneração óssea
MIOS vs técnica convencional
| Aspecto | Convencional | MIOS |
|---|---|---|
| Trauma tecidual | Elevado | Reduzido |
| Incisões | Amplas | Minimizadas |
| Recuperação | Lenta | Rápida |
| Experiência do paciente | Traumática | Positiva |
| Resultado estético | Muitas vezes artificial | Natural |
Com o mesmo planejamento, a escolha pela MIOS se torna quase óbvia.
Impacto estético e psicossocial
Os casos clínicos apresentados mostram pacientes que:
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Conversam normalmente em poucos dias
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Retornam rapidamente à alimentação sólida
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Não apresentam parestesia residual
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Mantêm naturalidade facial, sem “cara de cirurgia”
O objetivo é corrigir o que precisa ser corrigido — e desaparecer no resultado final.
Limitações e desafios
A MIOS exige:
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Curva de aprendizado
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Instrumentais específicos
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Planejamento extremamente preciso
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Fixação adequada
A resposta não é rejeitar a técnica, mas evoluir com ela.
Conclusão
A Cirurgia Ortognática Minimamente Invasiva não é tendência, é realidade clínica.
Ela entrega:
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Menor morbidade
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Recuperação acelerada
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Resultados estéticos superiores
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Pacientes mais satisfeitos
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Quebra definitiva do estigma histórico
A responsabilidade de mudar o paradigma é nossa. A MIOS é o caminho.
Referência
Conteúdo baseado na Trilha PURGO MASTERCLASS 2024 – Aula 3: Cirurgia Ortognática Minimamente Invasiva (MIOS)
Instrutor: Prof. Dr. Matheus Spinella