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O Erro Fatal Que 90% dos Dentistas Cometem no Aumento Vertical (e Como Evitá-lo)

Escrito por Implantec Brasil | Jan 12, 2026 4:29:56 PM

Aumento de Rebordo Vertical em Implantodontia:

a ciência por trás do procedimento mais desafiador da reabilitação oral

Por que o ganho vertical exige biologia refinada, técnica precisa e decisões clínicas baseadas em evidência

O aumento de rebordo vertical permanece como um dos maiores desafios da implantodontia contemporânea. Mesmo com o avanço dos biomateriais, das técnicas regenerativas e do planejamento digital, o ganho vertical continua limitado por fatores biológicos fundamentais, que não podem ser ignorados ou contornados por soluções simplistas.

Na aula sobre Aumento de Rebordo Vertical em Implantodontia, o Prof. Dr. Marcelo Nunes apresenta uma abordagem profunda, científica e clínica sobre o tema, integrando biologia óssea, manejo de tecidos moles, classificação precisa dos defeitos e técnicas avançadas, com destaque para a técnica BARBELL.

Mais do que ensinar uma técnica, o curso propõe uma mudança de mentalidade clínica: sair do empirismo e atuar com racionalidade biológica.

O problema central: por que o aumento vertical é biologicamente mais complexo?

O primeiro ponto estabelecido de forma categórica é que aumento vertical e aumento horizontal são procedimentos biologicamente distintos. Tratá-los da mesma maneira é um erro conceitual que compromete resultados.

Comparação biológica fundamental

Ganho Horizontal Ganho Vertical
Osso presente em ambos os lados do defeito Osso apenas na base
Suprimento vascular duplo (vestibular e lingual/palatino) Suprimento vascular unidirecional
Forças de compressão (favoráveis à regeneração) Forças de tração (desfavoráveis)
Fechamento primário mais previsível Fechamento crítico e determinante
Previsibilidade clínica > 90% Previsibilidade variável: 60–85%
Membranas reabsorvíveis geralmente suficientes Frequentemente exige membranas não reabsorvíveis

No aumento vertical, qualquer falha no suprimento vascular, na estabilidade do enxerto ou no fechamento do retalho compromete todo o processo regenerativo.

Limitações vasculares e biomecânicas: o verdadeiro inimigo do ganho vertical

Diferente do ganho horizontal, onde o enxerto recebe irrigação sanguínea de múltiplas superfícies ósseas, no ganho vertical:

  • A vascularização vem apenas do osso basal e do periósteo

  • A gravidade atua continuamente contra o enxerto

  • As forças musculares geram tração constante sobre as suturas

  • O edema pós-operatório aumenta ainda mais a tensão do retalho

Esses fatores explicam por que micromovimentações mínimas ou fechamentos sob tensão levam a deiscências, exposição de membrana e falhas regenerativas.

Todo defeito severo começou pequeno: a importância da prevenção

Um dos conceitos mais impactantes apresentados pelo Prof. Marcelo Nunes é direto e clínico:

“Todo defeito tridimensional severo começou pequeno.”

A cascata da negligência clínica

  1. Extração dentária sem preservação alveolar

  2. Reabsorção horizontal de 60–80% nos primeiros 6 meses

  3. Reabsorção vertical adicional de 20–40%

  4. Colapso progressivo dos tecidos moles

  5. Formação de defeito tridimensional severo

A literatura e a prática clínica convergem para o mesmo ponto: a preservação alveolar é o procedimento mais previsível e custo-efetivo da implantodontia moderna.

Classificação dos defeitos verticais: base para decisões previsíveis

Classificação por extensão vertical

Defeito Perda Vertical Técnica Indicada Previsibilidade
Leve 1–3 mm ROG com membrana reabsorvível Alta (>85%)
Moderado 3–5 mm ROG não reabsorvível ou BARBELL Boa (70–85%)
Severo >5 mm BARBELL, enxerto em bloco ou distração Moderada (60–75%)

Essa classificação não apenas orienta a técnica, mas define expectativa de sucesso, tempo de tratamento e risco de complicações.

Fenótipo peri-implantar ideal: parâmetros que guiam o planejamento

O planejamento de qualquer aumento vertical deve buscar restaurar um ambiente biológico favorável à longevidade dos implantes.

Parâmetros biológicos essenciais

Parâmetro Mínimo Ideal
Tecido queratinizado 2 mm 3–4 mm
Espessura da mucosa 2 mm ≥3 mm
Altura supracrestal 4 mm 4–5 mm
Osso periimplantar 1,5 mm ≥2 mm

Esses valores estão associados a:

  • Menor incidência de mucosite e peri-implantite

  • Estabilidade dos tecidos moles

  • Facilidade de higienização

  • Resultados estéticos previsíveis

  • Maior longevidade das reabilitações

A técnica BARBELL: o divisor de águas no ganho vertical

Conceito da técnica

A técnica BARBELL, utiliza parafusos expansores especiais para criar uma câmara regenerativa tridimensional estável, mantendo o espaço necessário para neoformação óssea durante todo o período de cicatrização.

Princípios biológicos e mecânicos

  • Suporte mecânico rígido

  • Manutenção do espaço regenerativo

  • Preservação do suprimento vascular periosteal

  • Redução do colapso do enxerto

  • Estabilidade tridimensional do biomaterial

Resultados clínicos relatados

  • Ganho vertical previsível: 3–5 mm

  • Tempo médio de cicatrização: 9–12 meses

  • Taxa de sucesso relatada: >90%

  • Manutenção volumétrica: superior à ROG convencional em defeitos severos

Comparação prática

Técnica Previsibilidade em grandes defeitos Morbidade
ROG convencional Moderada Baixa
Enxerto em bloco autógeno Variável Alta
BARBELL Alta Menor

Manejo de tecidos moles: o fator mais crítico do sucesso

A frase mais enfatizada ao longo da masterclass resume o conceito central:

“Sem passividade do retalho, não há regeneração previsível no aumento vertical.”

No ganho vertical:

  • O tecido precisa vencer a gravidade

  • O volume a ser coberto é maior

  • Qualquer tensão leva à deiscência

  • Deiscência significa exposição e falha

Liberação adequada inclui

  • Descolamento além da junção mucogengival

  • Liberação completa de inserções musculares

  • Descolamento lingual cuidadoso

  • Liberação horizontal do músculo milo-hióideo (mandíbula), capaz de gerar 5–8 mm de ganho de passividade

Complicações: abordagem racional e baseada em evidência

Deiscência de sutura

  • Principal causa: tensão residual no retalho

  • Pequena e precoce (<3 mm): ressutura pode ser considerada

  • Tardia ou extensa: controle de biofilme e cicatrização por segunda intenção

Exposição de membrana

Uma vantagem estratégica da BARBELL é que, mesmo com a remoção da membrana, os parafusos mantêm o espaço regenerativo, reduzindo perdas ósseas.

Conclusões dos autores e implicações clínicas

O aumento de rebordo vertical:

  • Exige compreensão profunda da biologia

  • Requer diagnóstico preciso e planejamento rigoroso

  • Demanda técnica refinada e controle absoluto do fechamento

  • Não admite improviso nem pressa

Quando bem indicado e executado, transforma casos antes considerados inviáveis em reabilitações previsíveis, funcionais e estéticas.

Referências

  1. Nunes, M. PURGO MASTERCLASS – Aumento de Rebordo Vertical em Implantodontia. PURGO, Brasil.