Durante décadas, a cirurgia ortognática foi vista como um procedimento extremo, reservado apenas para casos severos, associado a dor intensa, longas internações e um pós-operatório traumático. Esse estigma afastou pacientes, limitou indicações e moldou uma narrativa que hoje já não se sustenta.
A Cirurgia Ortognática Minimamente Invasiva (MIOS) surge exatamente para romper com esse passado. Mais do que uma nova técnica, ela representa uma mudança de filosofia cirúrgica, centrada em biologia, planejamento preciso e experiência do paciente.
A experiência tradicional do paciente incluía:
Trauma cirúrgico extenso
Edema facial severo por semanas
Dor pós-operatória significativa
Internação hospitalar prolongada, muitas vezes com reserva de UTI
Perda de peso importante
Afastamento da rotina por 30 a 60 dias
Risco elevado de alterações de sensibilidade
As consequências foram previsíveis: medo dos pacientes, resistência dos ortodontistas em indicar o tratamento e uma grande quantidade de casos nunca tratados, apesar da indicação clínica clara.
Apresentada pelo Prof. Dr. Matheus Spinella, cirurgião bucomaxilofacial e referência nacional em cirurgia minimamente invasiva, a MIOS nasce com um objetivo claro:
Reduzir o trauma cirúrgico sem abrir mão da precisão, estabilidade e qualidade estética.
Segundo o autor, a especialidade carrega parte da responsabilidade pelo estigma criado ao longo dos anos — e também a responsabilidade de mudá-lo.
A MIOS não se resume a incisões menores. Ela se apoia em pilares bem definidos:
Uso exclusivo de lâmina fria
Acesso restrito ao estritamente necessário
Preservação máxima dos tecidos adjacentes
Apenas nas áreas que serão efetivamente trabalhadas
Manutenção das inserções musculares
Preservação do periósteo e da vascularização
Menor exposição tecidual
Visão restrita, porém dirigida
Redução significativa do trauma
Técnica twist, substituindo fraturas agressivas
Mobilização gradual e controlada
Preservação estrutural e vascular
Um ponto enfatizado repetidamente é que nenhuma técnica salva um planejamento mal feito.
Casos de reintervenção analisados mostraram:
Desvios de linha média
Alterações do plano oclusal
Assimetrias faciais
Impactações excessivas
Avanços bimaxilares exagerados
O problema, segundo o Prof. Spinella, raramente está na intenção do cirurgião, mas sim na falha de transferência do planejamento digital para a sala cirúrgica.
Tomografia computadorizada 3D
Definição de linhas de referência
Simulações virtuais precisas
Confecção de splints intermediários e finais
Checagens rigorosas intraoperatórias
“Se o básico não está bem feito, não adianta técnica minimamente invasiva ou convencional.”
Incisão reduzida com lâmina fria
Descolamento seletivo
Osteotomia subespinhal (preservação da arquitetura nasal)
Tunelização bilateral
Mobilização por twist
Fixação rigorosa com splint final
Sutura em X, reduzindo risco de alargamento nasal
O diferencial está no desenho mais posterior da osteotomia, dentro de margens seguras.
Benefícios observados:
Menor risco de lesão do nervo alveolar inferior
Maior projeção mandibular
Ganho estético mais expressivo
Melhora do espaço aéreo
Apesar do menor contato ósseo, a técnica exige fixação mais rígida, garantindo estabilidade e regeneração óssea adequada.
Incisões e descolamentos mínimos
Trabalho por tunelização
Uso de guias cirúrgicos
Possibilidade de placas customizadas
Associação sistemática com biomateriais
Alta hospitalar em 12–24 horas
Dor mínima ou ausente
Edema significativamente reduzido
Retorno ao trabalho em 7–15 dias
Cicatrização óssea eficiente
Menor incidência de alterações neurossensoriais
Resultados estéticos mais naturais
Estabilidade mantida ou superior
O uso de biomateriais é protocolar na MIOS.
Mistura de osso porcino e colágeno
Alta absorção sanguínea
Distribuição homogênea de células osteoprogenitoras
Evidência tomográfica de neoformação óssea de alta qualidade aos 6 meses
Estudos apresentados demonstraram:
Redução significativa de edema
Menor dor pós-operatória
Diminuição de distúrbios de sensibilidade
Melhora da regeneração óssea
| Aspecto | Convencional | MIOS |
|---|---|---|
| Trauma tecidual | Elevado | Reduzido |
| Incisões | Amplas | Minimizadas |
| Recuperação | Lenta | Rápida |
| Experiência do paciente | Traumática | Positiva |
| Resultado estético | Muitas vezes artificial | Natural |
Com o mesmo planejamento, a escolha pela MIOS se torna quase óbvia.
Os casos clínicos apresentados mostram pacientes que:
Conversam normalmente em poucos dias
Retornam rapidamente à alimentação sólida
Não apresentam parestesia residual
Mantêm naturalidade facial, sem “cara de cirurgia”
O objetivo é corrigir o que precisa ser corrigido — e desaparecer no resultado final.
A MIOS exige:
Curva de aprendizado
Instrumentais específicos
Planejamento extremamente preciso
Fixação adequada
A resposta não é rejeitar a técnica, mas evoluir com ela.
A Cirurgia Ortognática Minimamente Invasiva não é tendência, é realidade clínica.
Ela entrega:
Menor morbidade
Recuperação acelerada
Resultados estéticos superiores
Pacientes mais satisfeitos
Quebra definitiva do estigma histórico
A responsabilidade de mudar o paradigma é nossa. A MIOS é o caminho.
Conteúdo baseado na Trilha PURGO MASTERCLASS 2024 – Aula 3: Cirurgia Ortognática Minimamente Invasiva (MIOS)
Instrutor: Prof. Dr. Matheus Spinella