Os biomateriais odontológicos fazem parte de diferentes protocolos de regeneração óssea e tecidual, mas escolher um enxerto ósseo ou uma membrana não deveria começar pelo produto. A decisão começa pelo defeito, pelo objetivo biológico e pelas condições necessárias para que a regeneração aconteça.
É nesse contexto que está a Purgo Biologics, empresa sul-coreana fundada em 1999 e especializada em biomateriais voltados à regeneração de tecidos duros e moles. Seu portfólio inclui enxertos ósseos, membranas absorvíveis e não absorvíveis e suturas para diferentes estratégias regenerativas.
No Brasil, a linha Purgo está disponível na Implantec, com diferentes apresentações do THE Graft, THE Cover Flex, OpenTex, OpenTex-TR e suturas em PTFE.
Mais importante do que decorar nomes comerciais é compreender qual função cada elemento precisa exercer dentro do protocolo.
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Biomaterial |
Função principal |
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Enxerto |
Manter espaço e atuar como arcabouço osteocondutor |
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Membrana |
Proteger e delimitar o compartimento regenerativo |
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Sutura |
Auxiliar na estabilização e no fechamento dos tecidos |
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Técnica |
Criar as condições mecânicas e biológicas necessárias à regeneração |
Uma analogia simples ajuda: o enxerto funciona como um andaime. Ele oferece estrutura para que células, vasos e tecido em formação ocupem determinado espaço. Mas nenhum andaime constrói sozinho um edifício. A estabilidade, a vascularização, a proteção do compartimento e o manejo dos tecidos continuam fundamentais.
A regeneração óssea guiada, ou ROG, utiliza princípios de exclusão celular e manutenção de espaço para favorecer a formação óssea. Revisões clínicas apontam a ROG com membranas e materiais de preenchimento entre as abordagens mais documentadas para reconstrução de defeitos alveolares em Implantodontia.
A história da Purgo ajuda a entender por que a marca construiu sua atuação em torno de regeneração e biomateriais.
1999 — Fundação da Purgo Biologics
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2010 — Estruturação do centro de pesquisa e desenvolvimento
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2012 — Sistema de qualidade com certificação ISO 13485
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2013 em diante — Expansão de registros de produtos e mercados internacionais
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2018 — Certificação MDSAP
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2021–2025 — Expansão da presença internacional, com novas unidades e mercados
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Linha Purgo disponível no Brasil pela Implantec
A própria história institucional da Purgo registra sua fundação em 1999, a criação do centro de P&D em 2010, certificação relacionada à ISO 13485 em 2012, MDSAP em 2018 e expansão internacional contínua nos anos seguintes.
Certificações e sistemas de qualidade são importantes para a procedência e padronização, mas não significam que um biomaterial seja indicado universalmente para qualquer situação clínica.
Material premium não substitui diagnóstico premium.
Enxertos xenógenos mineralizados são utilizados principalmente como materiais osteocondutores: oferecem uma matriz física sobre a qual o processo regenerativo pode ocorrer a partir dos tecidos biologicamente viáveis ao redor.
A previsibilidade, entretanto, é influenciada por fatores como morfologia do defeito, vascularização, estabilidade do enxerto, fechamento, manejo dos tecidos moles e proteção do espaço regenerativo. A literatura sobre ROG destaca justamente a necessidade de selecionar a estratégia conforme as características clínicas do defeito.
Essa diferença é fundamental.
O biomaterial não deve ser interpretado como algo que simplesmente “vira osso”. Na osteocondução, sua função principal é servir como arcabouço que favorece a progressão de vasos e células provenientes das regiões viáveis.
Por isso, o mesmo material pode ter comportamentos clínicos diferentes em um alvéolo contido, em uma deiscência ou em uma reconstrução tridimensional extensa.
O portfólio comercializado pela Implantec reúne soluções destinadas a diferentes etapas dos protocolos regenerativos.
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Produto |
Categoria |
Aplicação dentro do protocolo |
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THE Graft |
Enxerto particulado |
Arcabouço osteocondutor em indicações compatíveis |
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THE Graft Collagen |
Enxerto com colágeno em bloco |
Adaptação e preenchimento em defeitos compatíveis |
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THE Graft Bone Ring |
Enxerto em formato de anel |
Utilização em técnica específica de Bone Ring |
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THE Cover Flex |
Membrana de colágeno absorvível |
Proteção do compartimento regenerativo |
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OpenTex |
Membrana de PTFE não absorvível |
Barreira em protocolos compatíveis |
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OpenTex-TR |
PTFE com reforço de titânio |
Maior suporte estrutural e manutenção de espaço |
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Biotex |
Sutura de PTFE |
Estabilização e fechamento dos tecidos |
O THE Graft é uma matriz mineral de origem porcina. A linha comercializada pela Implantec inclui diferentes granulometrias, entre elas partículas de 0,25–1 mm e de 1–2 mm, além de apresentação em seringa.
A escolha da granulometria não deve ocorrer simplesmente porque o profissional está acostumado a determinado tamanho de partícula. O formato do defeito, o volume necessário, a contenção, a estabilidade e a estratégia cirúrgica precisam ser considerados em conjunto.
O THE Graft Collagen combina matriz mineral derivada de osso porcino com atelocolágeno também de origem porcina. A Purgo o disponibiliza em formatos destinados a diferentes aplicações regenerativas.
A linha inclui ainda apresentação em anel para protocolos de Bone Ring. Nesse caso, o formato do biomaterial está vinculado a uma técnica cirúrgica específica e exige planejamento adequado de posição, estabilidade e indicação.
O Bone Ring não deve ser apresentado como um substituto automático do enxerto autógeno. A indicação depende do defeito, do protocolo escolhido e da avaliação do cirurgião.
A THE Cover Flex é uma membrana absorvível de colágeno.
Por ser reabsorvível, normalmente não exige uma segunda intervenção exclusivamente para retirada da membrana. Sua indicação, entretanto, deve considerar o defeito e a necessidade de sustentação do compartimento regenerativo.
A OpenTex é uma membrana não absorvível de PTFE, enquanto a OpenTex-TR adiciona reforço de titânio à estrutura.
Membranas não absorvíveis podem oferecer vantagens de controle e manutenção do espaço em situações selecionadas, mas exigem planejamento para remoção e manejo cuidadoso dos tecidos. Estudos comparativos não sustentam a existência de uma membrana universalmente superior: a seleção depende da natureza do defeito e da técnica empregada.
A Biotex é uma sutura monofilamentar não absorvível de PTFE. A linha disponível na Implantec inclui diferentes calibres para seleção conforme tecido, acesso e estratégia de fechamento.
A pergunta não deveria ser simplesmente “qual é melhor?”, mas qual característica é necessária para aquele defeito.
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Característica |
THE Cover Flex |
OpenTex |
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Material |
Colágeno |
PTFE |
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Reabsorção |
Sim |
Não |
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Necessidade de remoção |
Normalmente não |
Sim |
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Manutenção de espaço |
Depende do defeito, enxerto e estabilização |
Pode oferecer maior controle em indicações compatíveis |
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Escolha clínica |
Conforme morfologia e protocolo |
Conforme morfologia e necessidade mecânica |
A literatura disponível mostra bons resultados tanto com membranas absorvíveis quanto não absorvíveis, sem sustentar uma vencedora para todas as situações. Natureza do defeito, estabilidade, enxerto utilizado e habilidade técnica precisam entrar na decisão.
Um dos maiores erros na escolha de um biomaterial é olhar apenas para o tamanho da deficiência.
A arquitetura do defeito importa.
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Defeito |
Estratégia geral |
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Contido |
Maior suporte oferecido pelas paredes remanescentes e, em geral, menor necessidade de recursos estruturais adicionais |
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Não contido |
Maior desafio para estabilização e manutenção do espaço, podendo exigir estratégias adicionais de suporte e fixação |
A classificação da morfologia óssea é utilizada justamente para auxiliar a tomada de decisão em aumento ósseo. A literatura e conteúdos educacionais da ITI e da EAO reforçam que o tipo de defeito influencia a seleção da técnica, membrana e estratégia regenerativa.
Reconstruções verticais e defeitos extensos, por exemplo, são procedimentos tecnicamente mais complexos e apresentam risco maior de complicações do que situações regenerativas mais simples.
Antes de abrir o catálogo, comece pelo diagnóstico.
Essa sequência muda a pergunta de “qual biomaterial eu costumo usar?” para “qual função precisa ser cumprida neste caso?”.
É uma mudança pequena na formulação, mas grande na tomada de decisão clínica.
Biomaterial não deveria chegar ao campo cirúrgico sem que sua origem possa ser identificada.
A clínica precisa estabelecer um processo para documentar os materiais implantáveis utilizados de acordo com seus protocolos, prontuário e exigências aplicáveis.
Registrar:
A aquisição por canais confiáveis também facilita acesso a informações técnicas, documentação e suporte quando necessário.
A Implantec mantém atualmente uma página específica para a linha Purgo, reunindo enxertos, membranas e suturas disponíveis em seu portfólio.
Mesmo materiais de alto padrão podem ser utilizados de maneira inadequada quando o raciocínio começa pelo produto e não pelo diagnóstico.
Erros frequentes:
A literatura sobre regeneração reforça que não existe uma única estratégia que entregue o melhor resultado para todas as condições clínicas. A tomada de decisão precisa acompanhar anatomia, objetivo do tratamento e complexidade do caso.
A regeneração não é resultado de uma única embalagem.
Ela depende da combinação entre diagnóstico, biologia, técnica, biomaterial, estabilidade, manejo de tecidos e acompanhamento.
A Implantec reúne em seu portfólio Purgo:
A tecnologia entrega ferramentas. A previsibilidade nasce da capacidade de selecionar e integrar essas ferramentas ao protocolo correto.
O enxerto particulado pode participar de diferentes protocolos regenerativos quando há necessidade de preenchimento e manutenção de um arcabouço osteocondutor. Sua indicação depende da morfologia do defeito, estabilidade, vascularização, técnica e associação ou não com membranas e outros recursos.
Formatos em bloco podem ser considerados quando a estratégia regenerativa exige determinada forma de adaptação ou suporte estrutural. A escolha não deve ocorrer apenas pelo tamanho do defeito, mas pela arquitetura óssea, ganho necessário, possibilidade de fixação, tecidos moles e técnica planejada.
Não deve ser interpretado como substituto automático do enxerto autógeno. O Bone Ring é um formato associado a uma técnica específica e sua indicação depende do defeito e do planejamento cirúrgico. Reconstruções ósseas possuem diferentes alternativas, e a literatura não estabelece uma solução universalmente superior para todos os casos.
A escolha deve considerar espaço disponível, morfologia, volume do defeito, estabilidade, estratégia de regeneração e características do material. Utilizar sempre a mesma granulometria apenas por preferência do operador reduz uma decisão biológica e mecânica a um hábito.
Não. A necessidade de membrana depende do procedimento, da morfologia do defeito e da estratégia regenerativa. A ROG utiliza membranas como barreira para proteção do compartimento, mas nem todo procedimento que utiliza enxerto ósseo corresponde obrigatoriamente à mesma abordagem regenerativa.
Membranas de PTFE podem ser consideradas quando o protocolo exige uma barreira não absorvível e determinadas características de manutenção e controle do espaço. A decisão deve considerar morfologia do defeito, estabilização, fechamento, necessidade posterior de remoção e experiência do profissional.
O protocolo da clínica deve permitir relacionar o biomaterial utilizado ao paciente e ao procedimento. Informações como nome do produto, fabricante, lote, validade e quantidade utilizada são dados importantes para possibilitar sua identificação posterior.
O armazenamento deve seguir as condições determinadas pelo fabricante e constantes na rotulagem ou instruções de uso do produto. Integridade da embalagem, validade e condições ambientais precisam ser verificadas antes da utilização. Produtos com embalagem comprometida ou armazenados fora das condições indicadas não devem ser tratados como equivalentes a materiais corretamente conservados.
Para fortalecer a base científica sobre ROG e seleção de biomateriais, algumas referências ajudam a contextualizar os princípios apresentados neste artigo: