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Laserterapia na odontologia: PDT e controle bacteriano.

Escrito por Implantec Brasil | Sep 25, 2026, 8:00:21 PM

A laserterapia pode contribuir para o controle microbiano na odontologia, mas nem toda aplicação do laser possui essa finalidade. Quando o objetivo é a ação antimicrobiana, uma das principais aplicações é a terapia fotodinâmica antimicrobiana (aPDT). Nesse protocolo, a luz atua em conjunto com um fotossensibilizador, desencadeando reações capazes de danificar estruturas microbianas.

Essa combinação tem sido estudada principalmente como terapia adjuvante em condições associadas a biofilmes persistentes, como infecções endodônticas, periodontite e doenças peri-implantares. A incorporação clínica da laserterapia exige formação, diagnóstico e parâmetros bem documentados.

Por que biofilmes tornam algumas infecções mais difíceis de controlar?

Muitas infecções odontológicas não dependem apenas de bactérias livres. Os microrganismos podem formar biofilmes, comunidades organizadas e aderidas a superfícies dentárias, canais radiculares ou implantes. Essa estrutura dificulta a ação de agentes antimicrobianos e favorece a permanência de nichos após o tratamento.

A organização do biofilme e a anatomia de determinadas regiões podem limitar o alcance da descontaminação, especialmente em áreas de difícil acesso, irregularidades superficiais, túbulos e ramificações. Instrumentação, irrigação, raspagem e debridamento continuam sendo fundamentais. A PDT pode ser utilizada como recurso adjuvante.

A PDT entra como complemento. Seu objetivo não é substituir a remoção mecânica, mas acrescentar uma ação antimicrobiana localizada depois que a área foi preparada.

Como a PDT funciona na laserterapia na odontologia?

A PDT depende de três elementos:

1. Fotossensibilizador

↓

2. Luz em comprimento de onda compatível

↓

3. Oxigênio presente no tecido

↓

Formação de espécies reativas de oxigênio

↓

Ação sobre estruturas microbianas

A terapia fotodinâmica depende de três elementos: fotossensibilizador, luz compatível e oxigênio. Depois de aplicado, o agente precisa permanecer pelo tempo previsto no protocolo para interagir com o sítio tratado.

Quando recebe luz em uma faixa de absorção adequada, o fotossensibilizador participa da formação de espécies reativas de oxigênio. Essas moléculas podem atingir membranas, proteínas e outros componentes das células microbianas.

PDT e fotobiomodulação não são sinônimos

 

Fotobiomodulação

PDT / aPDT

Objetivo principal: Modulação biológica

Objetivo principal: Ação antimicrobiana

Fotossensibilizador: Não

Fotossensibilizador: Sim

Luz: Parâmetros específicos

Luz: Compatível com o fotossensibilizador

Aplicações: Dor, inflamação, reparo etc.

Aplicações: Controle microbiano adjuvante

Na fotobiomodulação, a luz é usada para modular processos celulares relacionados a dor, inflamação e reparo. Na PDT, a luz ativa um fotossensibilizador com finalidade antimicrobiana.

O mesmo aparelho pode reunir as duas funções, mas os parâmetros não são intercambiáveis. Selecionar luz vermelha sem utilizar um agente compatível não transforma a aplicação em terapia fotodinâmica.

O que as evidências mostram sobre a PDT na odontologia?

Os resultados variam conforme a especialidade, protocolo, agente e tempo de acompanhamento. Por isso, a técnica deve ser comunicada como adjuvante, sem promessas de eliminação definitiva da infecção.

Endodontia

Na endodontia, a literatura sugere que a aPDT pode contribuir para a redução adicional da carga microbiana quando associada aos protocolos convencionais de descontaminação.

Em canais radiculares, a anatomia interna pode apresentar istmos, ramificações e túbulos que dificultam a descontaminação completa. Uma revisão sistemática sobre aPDT em retratamentos endodônticos encontrou resultados favoráveis na redução da carga microbiana quando a técnica foi associada ao tratamento convencional.

A PDT deve ser realizada depois da instrumentação e da irrigação previstas. Fotossensibilizador, fibra, tempo de contato e distribuição da luz influenciam o alcance da aplicação.

Periodontia

Na periodontia, a aPDT tem sido estudada principalmente como complemento à raspagem e ao controle mecânico do biofilme.

Na periodontite, a raspagem e o controle de biofilme permanecem fundamentais. Uma revisão sistemática de 2024 considerou a aPDT uma terapia adjuvante promissora, com redução microbiana e melhora de alguns parâmetros clínicos.

Os estudos, porém, utilizam diferentes números de sessões, concentrações e equipamentos. Isso impede estabelecer um protocolo único para todos os pacientes e bolsas periodontais.

Implantodontia

Na mucosite peri-implantar e na peri-implantite, a descontaminação da superfície do implante é desafiadora devido à geometria e à rugosidade do material. Uma meta-análise publicada em 2025 encontrou melhora de alguns parâmetros quando a PDT foi associada ao debridamento mecânico, mas classificou a certeza geral das evidências entre moderada e baixa.

A técnica não substitui controle de biofilme, manutenção, tratamento dos fatores de risco ou abordagem cirúrgica quando indicada.

Onde a PDT vem sendo estudada?

Área

Papel da PDT

Endodontia

Adjuvante à instrumentação e irrigação

Periodontia

Adjuvante ao controle mecânico do biofilme

Implantodontia

Adjuvante à descontaminação/debridamento

Princípio geral

Complementa; não substitui o tratamento convencional

Quais parâmetros determinam o resultado?

O resultado da aPDT depende da combinação entre fotossensibilizador, comprimento de onda, potência, energia, tempo de aplicação e distribuição da luz. Alterar um desses elementos pode modificar a dose entregue ao sítio tratado.

Para a realização da técnica, o aparelho de laser precisa emitir um comprimento de onda compatível com o fotossensibilizador. A Família Therapy da DMC é um exemplo de tecnologia disponível, incluindo equipamentos com emissões vermelha (660 nm) e infravermelha (808 nm) com potência nominal de 100 mW para aplicações de fotobiomodulação e aPDT, conforme o modelo e o protocolo.

Além do comprimento de onda, precisam ser definidos:

  • fotossensibilizador e concentração;
  • comprimento de onda;
  • tempo de pré-irradiação;
  • potência, energia e duração;
  • forma de contato e distância;
  • área ou número de pontos;
  • fibra ou acessório utilizado;
  • momento da reavaliação.

Usar mais energia não significa obter maior ação antimicrobiana. O resultado depende da dose adequada e da distribuição da luz no sítio.

Checklist de segurança para utilização da PDT

  • Diagnóstico estabelecido
  • Tratamento convencional realizado/planejado
  • Fotossensibilizador definido
  • Comprimento de onda compatível
  • Parâmetros registrados
  • Proteção ocular adequada
  • Acessórios compatíveis
  • Registro no prontuário
  • Reavaliação programada

A proteção ocular deve ser compatível com os comprimentos de onda utilizados. A loja atual da Implantec apresenta óculos de proteção para laserterapia DMC, mas a adequação do modelo deve ser confirmada para cada equipamento.

Também é necessário seguir as exigências profissionais. A Resolução CFO-82/2008 regulamenta a habilitação em Laserterapia e estabelece sua finalidade de capacitar o cirurgião-dentista para a prática segura.

A laserterapia não substitui o controle da causa

O termo “combate bacteriano crônico” pode transmitir a ideia de que a luz resolve sozinha infecções recorrentes. Na prática, o biofilme volta a se organizar quando fatores locais, higiene, doença periodontal, anatomia ou manutenção não são controlados.

A PDT pode ampliar a descontaminação em protocolos selecionados, mas seu melhor uso ocorre dentro de uma estratégia completa. Diagnóstico, instrumentação, irrigação, raspagem, debridamento, acompanhamento e adesão do paciente continuam determinantes.

A PDT amplia as possibilidades de controle microbiano na odontologia, mas seus resultados dependem de diagnóstico, tratamento convencional adequado, seleção correta do fotossensibilizador e parâmetros bem definidos. Quando incorporada de forma criteriosa, pode funcionar como uma ferramenta adjuvante em diferentes especialidades, sem substituir os fundamentos do tratamento.

FAQ

Para que serve a laserterapia na odontologia?

Ela pode ser utilizada em aplicações de fotobiomodulação, relacionadas a dor, inflamação e reparo, e em terapia fotodinâmica antimicrobiana. A indicação e os parâmetros dependem do diagnóstico e da formação do profissional.

A laserterapia mata bactérias?

A luz isolada não produz necessariamente ação antimicrobiana. Na PDT, ela ativa um fotossensibilizador compatível, gerando espécies reativas capazes de danificar microrganismos. O efeito depende do protocolo.

A PDT substitui antibióticos?

Não. A PDT é uma terapia localizada e complementar. Antibióticos possuem indicações próprias e devem ser prescritos após avaliação clínica. A técnica também não substitui o tratamento mecânico da infecção.

Qual laser é usado para combater bactérias?

Em diversos protocolos odontológicos de PDT, utiliza-se luz vermelha próxima de 660 nm associada a um fotossensibilizador compatível. A escolha deve seguir as especificações do aparelho, do agente e da técnica.

O dentista precisa de habilitação para laserterapia?

O Conselho Federal de Odontologia regulamenta a habilitação em Laserterapia. O profissional precisa conhecer dosimetria, segurança, diagnóstico, indicações, contraindicações e funcionamento do equipamento.